O Grupo de Pesquisa PETIRAS realizou uma reunião extraordinária dedicada a um tema fundamental para a prática de prevenção e controle de infecções. A discussão foi conduzida pela Profª Dra. Maria Clara Padoveze, líder do PETIRAS a partir de evidências e documentos internacionais recentemente atualizados. Entre os principais pontos discutidos, destacam-se: A proposta de uma terminologia mais abrangente para descrever os patógenos que podem ser transmitidos pelo ar; A compreensão das partículas respiratórias como um continuum de tamanhos, evitando uma divisão rígida entre “gotículas” e “aerossóis”; A importância de considerar fatores como ventilação, fluxo de ar, umidade, temperatura, distância, tempo de exposição, características do patógeno e susceptibilidade do hospedeiro na avaliação do risco de transmissão; A necessidade de compreender a transmissão a partir do risco de infecção e da exposição, e não apenas das características físicas das partículas; As implicações desses novos conceitos para a avaliação de risco e implementação de medidas de prevenção e controle nos serviços de saúde. A discussão também dialogou com a recente atualização das Transmission-Based Precautions (TBPs) na Escócia, que passou a utilizar uma abordagem baseada em rotas de transmissão e categorias respiratórias, considerando o agente infeccioso, o contexto assistencial, os procedimentos realizados e a gravidade da doença. Os novos conceitos de transmissão pelo ar não significam, automaticamente, que todos os patógenos ou situações devam ser manejados com precauções para aerossóis. A apresentação destaca que não houve, até o momento, alteração nas recomendações referentes aos tipos de precauções, permanecendo a necessidade de aprofundar as evidências para diferentes patógenos e contextos. Compreender melhor como ocorre a transmissão é essencial para que as estratégias de prevenção e controle sejam cada vez mais fundamentadas em evidências, proporcionais ao risco e adequadas a cada contexto.